quinta-feira, 31 de maio de 2012

Novas Oficinas Literárias - Escrita Criativa - 2012

Olá,
No segundo semestre iremos inaugurar novas Oficinas de Literatura e Redação pelo Núcleo Tavola.

Foram preparadas oficinas de escrita especiais e singulares no campo literário com os melhores professores de Ribeirão Preto e região.

São oficinas e cursos organizados privilegiando o que tem de mais original e específico em cada uma das áreas propostas, tendo desde já, estruturas e de ensino e conteúdos de nível nacional.
São esses os cursos:


Oficina Estética Literária e Psicanálise - Este curso visa oferecer noções de estética literária, assim como o trabalho consciente de “engenharia estética” do autor que se faz presente na estrutura do objeto, tornando a estrutura elemento indissociável da significação. Com Osvaldo Félix - Doutor em Estudos Literários pela UNESP.
Curso Livros do Vestibular Fuvest/Unicamp - Análise e interpretação aprofundada dos livros listados pela Fuvest/Unicamp para o vestibular desse ano. Com o professor Antônio Cassoni - Licenciado em Letras Clássicas pela USP-SP. Renomado professor de cursinhos como o COC, Objetivo e Anglo.
Oficina de Literatura Infantil - desenvolver o conhecimento e a capacidade de análise das especificidades do texto literário destinado às crianças, bem como a habilidade de produção de textos para esse mesmo público leitor. Com Carolina Bernardes - Mestre em Estudos Literários (Unesp)/ Vencedora do Prêmio Literário “Grandes Empresas na Literatura” por sua obra Flauis (2010).
Oficina Monteiro Lobato: “Nos Domínios do Saber Lobatiano” - Resgatar, por meio da leitura, análise e discussão de textos literários, a forma peculiar como Lobato construiu suas narrativas. Com Áurea Laguna - Especializada em Língua Portuguesa e Estudos Literários.
Redação Jornalística / Publicitária / Jornalismo Literário - Curso de redação jornalística e publicitária. Com Carmen Cagno - Jornalista com Mestrado em Estudos Literários pela Unesp. Trabalhou na imprensa de São Paulo como repórter pela Revista Veja, Jornal da Tarde, etc.
+ Informações no site: http://nucleotavola.com.br/literatura/

segunda-feira, 23 de abril de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Revista Tavola- Literatura & Psicanálise





Saiu a nova edição da Revista Tavola; Esta edição foi elaborada especialmente para o tema Literatura e Psicanálise.

Temos entrevistas com Contardo Calligaris, Antonio Prata, e muito mais...

http://nucleotavola.com.br/revista/category/ed7-112011-literatura-e-psicanalise/


Espero que gostem,
Um abraço!

sábado, 1 de outubro de 2011

Melancolia é uma questão de tempo


Dos expectantes sujeitos que formam casais ante a entrada do filme “Melancolia”, sopram no ouvido um do outro o que já esperam sentir: “Lars Von Trier não nos poupará de sentir o impensável”.

Previsões à parte, um polêmico e criativo cineasta como Lars nunca poderia dar o que o espectador espera.
A melancolia, traço psicológico muitas vezes formado na infância, nos remete a díspares disfunções sociais que trazem questões sempre não totalmente respondidas. Uns acreditam ser a química formada no cérebro a principal causa desse estado inquietante, outros julgam com ardor que a desintegração que demarca o isolamento do melancólico é provocada por certo egoísmo.

Para fazer um filme como este é preciso muita melancolia. E tomando um chá, inebriado por um planeta qualquer que não aparece no céu, que já estagnado por uma seca estação, aguarda algo de novo, seja um planeta chamado “Melancholia”, mote do filme atrás descrito, ou uma lua nova, espero eu também esclarecer algumas dúvidas internas.

Ambos os possíveis astros adquirem ares de novidade por estarem escondidos, por trás das vestes do sol ou das defesas erigidas pelos seres humanos, que através dos muros da insolidariedade (solidariedade é um conceito sem antônimo?), atravessam a carne psíquica dos companheiros, que muitas vezes são tratados como meras funções e não pessoas.

Lars levanta respostas um pouco acima dos planetas fantasiados; A personagem principal (Justine) fica sempre vitimada por uma solidão erguida por seus próprios semelhantes (irmã, pais, marido, chefe e “amigos”) que sempre a tratam como um brinquedo. Não a permitem ser triste. Quando a tristeza é legítima e permitida, é possível ser feliz na melancolia que lhe é própria. Como fugir de um ocaso de tal monta? Através da violência no rechaço de um falso amor que eles tentam em vão iludi-la. O que Justine questiona e a choca, fazendo-a entrar em conflito consigo e com seus familiares é o fato de ela ver sem véus que todas as supostas pessoas amadas que amparam seu viver, na verdade só amam o papel que ela cumpre na vida de cada um deles próprios, só amam o que Justine pode trazer ao narcisismo deles, isto é, ninguém se importa verdadeiramente com ela. E é neste momento que o mundo real sofre um corte em seu interior, sendo impossível um resgate psíquico.

Por um lado ela chega a um perímetro próximo da indiferença em relação aos familiares, mas por outro mostra o fardo que é a exigência da felicidade.

Ela experimenta vagas intuições... Sua irmã e seu cunhado se defenderam até o fim da percepção da realidade, trazida pela sombra de uma verdade negada.

Assim como o sol, que um dia efetivamente vai tombar, ou um planeta colidindo estrelas, a melancolia por todos espera, seja por um trauma, uma falta, ou a aproximação de uma apocalíptica transição da luz para o mistério.

O mundo


O mundo é um lugar sombrio. Uma roda gigante de latitudes e longitudes ainda inexploradas, terrores mal dormidos, poemas mal sonhados.


O mundo é um convite à depressão, à desilusão, à carne mal vestida da anfitriã das felicidades possíveis, o mundo é um convite à dispersão.


O mundo é um astro em rota de colisão, um cometa mal gasto, maltrapilho, ignorado pela Galáxia de Andrômeda.


O mundo é um composto de fenômenos, aliás, vale a pena crer na Aurora Boreal, que não é deveras real.


O mundo é um lugar onde sobram desejos, e um lugar-no-mundo é o que há de mais escasso.


O mundo é um lugar sombrio. Tem pessoas que nascem com medo do escuro. Eu aprendi a ter medo do escuro. O breu é um chão sem assento.


O mundo tem muita luz e ao mesmo tempo muito escuro. Por isso a meia-luz me é cara hoje. Mas a luz do mundo sou eu quem faço. Tem piras de fogo agorinha prontas a se acender na minha mão. Mas estão presas por minha insensatez, barradas por minha inata paixão.


O mundo é uma cabeça quadrada, que insiste que é redonda, pra poder chamar a atenção.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Revista Távola Jul/2011

Olá pessoal,

Acaba de sair a nova edição da Revista Távola.

Para conferir algumas matérias, entrevistas e artigos, segue alguns links:

http://nucleotavola.com.br/revista/



http://nucleotavola.com.br/revista/2011/07/04/entrevista-com-julio-jose-chiavenato/
- entrevista que fiz com o escritor Júlio Chiavenato

http://nucleotavola.com.br/revista/2011/07/04/filosofia-e-religiao-como-lugares-de-emergencia-do-homem/
- Artigo de Adhemir Marthins - Filosofia e religião como lugares de emergência do homem

http://nucleotavola.com.br/revista/2011/07/04/um-olhar-binocular-sobre-os-dogmas-da-sociedade-da-psicologia-analitica-a-fantasia-criadora-2/
- Artigo de Fy Neal

sábado, 2 de julho de 2011

A Instabilidade do Amor



Dizem que a Grande Tragédia é acreditar no amor. Que conversar com Deus, talvez seja mais saboroso. A soma de todos os medos, no final das contas, é estar só.


Sofre a alma humana ao perceber que, no final de todas as somas da vida e dos relacionamentos, o que resta é estar só. A ruptura inesperada ou a morte de um dos cônjuges pode trazer uma alquimia amarga que tomamos sem pedir por ela.


Os eremitas nas montanhas evitam o amor, a atração dos corpos. Para alguns deles, a alma tem de se separar do corpo e da mente. Mas nós, habitantes dos vales baixos, temos a tarefa de lidar com ambos, nosso corpo e mente, e além, o coração.


Os eremitas, na solidão, podem se encontrar. Já no amor, podem se fragmentar. Mas eles vivem o amor. “Praticam” o amor universal, a compaixão. Mas nós, apóstolos do amor romântico, aculturados por um ideal que diz que existirá uma única pessoa que de nós dependerá, temos de estar preparados para os revezes da situação amorosa, que por vezes, nos faz reféns de nós mesmos, adensando a quantidade de conflitos no relacionamento. O que fora criado para um casal ser feliz, inquieta, e com uma gama de conflitos o relacionamento vai esmorecendo, trazendo angústias, traições, separações e irritações, causadas por ambos os parceiros.


Que força é essa que nos leva a repetir de forma comungatória a forma como nos irritamos
com nossos parceiros amorosos? Desde o eremita, nós mesmos (ou o eremita em nós mesmos), escolhemos e temos de sustentar nossas escolhas e desejos. Ontem tive um sonho e nele estava a mulher de meus sonhos. Espero que o sonho baste, pois a realidade, a realidade passa... Comprometer-se com o outro é comprometer-se consigo mesmo. Comprometer-se consigo é ir em direção ao outro; Relaxar na afinidade e na diferença, e com a instabilidade que é a inflexibilidade de um e de outro. Se relacionar é afinar o instrumento do conjunto. O conjunto que é o casal.


Artigo publicado no Jornal O Aprendiz (Junho /2011)

domingo, 27 de março de 2011

Poesia - A Mentira (por Luís Augusto)

Mentimos Vivemos numa mentira coletiva Numa mentira convencionada Mentimos nossa piedade Nossa responsabilidade Nossa competência Nossos sentimentos Mentimos pela justiça igualitária Mentimos pelo lucro justo Mentimos pela preservação do meio ambiente Pelo bem-estar social Pelo desenvolvimento Pela pujança da nossa pátria Pelo cumprimento das metas Pelo que deve ser feito Mentimos para que o errado seja certo E para que o mal seja bem Para que a fome não se mostre Para que os indicadores sociais sejam positivos Para que a vida valha a pena Mentimos para a contabilidade, Mentimos para as estatísticas Para os nossos acionistas Para as planilhas de acompanhamento Para os nossos clientes Para os nossos chefes Mentimos para os nossos pais Para o nosso país Mentimos para o mundo e para a ONU (o que é a ONU, senão uma grande mentira) Mentimos para Deus e por Deus Mentimos para nossos companheiros Mentimos para o fisco e para o banco Mentimos a todo o momento E em tantas situações que mentimos para nós mesmos Mentimos para crermos Luís Augusto T. Morais

quarta-feira, 23 de março de 2011

Maria Bethânia e os milhões

“Maria Bethânia terá 1,3 milhão para criar blog

“A cantora Maria Bethânia conseguiu autorização do Ministério da Cultura para captar R$ 1,3 milhão e criar um blog. A ideia é que o site ‘O Mundo Precisa de Poesia’ traga diariamente um vídeo da cantora interpretando grandes obras.”


A maioria já sabe sobre esse episódio, mas vale a pena ler o que André Barcinski da Folha comentou sobre isso em seu blog:

http://andrebarcinski.folha.blog.uol.com.br/

sábado, 19 de março de 2011

As Redes Sociais


Em tempos das “Redes Sociais”, twitter, facebook, orkut, myspace, e outros, jatos de tinta da impressora são economizados em pró de uma vida pró-ativa na tela, na “rede”. A Internet vem se tornando uma fábrica de ideias e vem tentando tornar nossas vidas mais interessantes do ponto de vista da troca de informações e estabelecimento de novos contatos. É fato que nos enredamos numa teia sem saída? A aranha deixará de produzir sua teia natural para virtualizar suas relações com a barata?

Sonhamos o tempo todo imaginando o que será da tecnologia no dia de amanhã… O que ela poderá nos trazer de novo, que surpreenderá nossos espantos…

Sabemos que a Rede Social “Facebook”, que fora retratada no filme “Rede Social”, foi criada com o intuito de compartilhar fotos, ideias, vídeos, perfis, e muitas adereços mais, potencializando a forma de entrarmos em contato com os outros pela Internet. O filme que conta a história de Marck Zuckerberg, criador do “Facebook”, narra não só os fatos da história da criação, veiculação, e briga pelos direitos do site, mas também narra de forma convincente os conflitos da vida por trás da tela do computador. Marck inicia a criação do site por causa de uma frustração com a namorada. E é vendo o perfil dela, no site que o próprio Mark construiu, que o filme deliciosamente termina. Não há tecnologia que faça voltar uma pessoa que já foi embora de nossas vidas.

Será que poderemos emergir dessa imagem metaforizada de nossos ideais, dessa falsa imagem de quem somos nós? Os vínculos de amizade e de “amor” estão ficando cada vez mais intermediados pela musculosidade de nossos perfis ideais, ideais esses que não compartilham, mas separam. É a “capa dura” e perversa do mundo virtual e sua exposição. Pelo fato de termos tão pouco tempo para vivermos relações “concretas” com as pessoas, a Internet foi tornando nossas relações sociais e as “relações” com a nossa subjetividade cada vez mais automatizadas. Será que temos tão pouco tempo assim? Ou apenas estamos substituindo os “veículos” de “troca”?

Cuidado hein, não temos tempo a perder, pois se pararmos para pensar, o fruto da “Árvore do Conhecimento” já vai ter caído, e não iremos ter tempo de narrar a criação do mundo. O Gênesis estará perdido no labirinto das interconexões da “Rede”.


Caio Garrido.


Lançamento Livro - "Poemas auto-escritos em estado de Sonambulovisão"



A obra “Poemas auto-escritos em estado de Sonambulovisão”, segundo livro de Caio Garrido, é um Inconsciente em ebulição. Para poder existir uma nova poética é preciso que haja um novo olhar frente ao mundo, ao universo e ao criterioso universo de um “Eu” em busca de expansão. Para que seja uma evolução ilimitada de mente, espírito, e coração, a poesia tem que retornar ao Antes do Começo. Um retorno quase “paleolítico”, aos meandros da mente e seus desejos. Caso olharem de frente para os poemas e poesias contidas neste livro, estarão próximos a uma visão que se aproxima da leitura de um mito. Leitura não no sentido concreto, mas de uma abstração em que os processos do pensar se sobrepõem, se misturam, se confundem.


Os “Poemas auto-escritos em estado de Sonambulovisão” nos obrigam, como leitores, a sonhar o tempo todo. É que a poesia é algo tão pessoal e subjetiva que ela só pode ser descrita na vivência auto-sonambúlica do autor. Não obstante a sua capacidade de ser metafísica, ela me parece ser anterior à linguagem quando esta se articula através de letras (sons) e palavras (fonemas). Poesia que refresca como um novo nascimento, podendo nos propiciar uma nova maneira de rimar e sonhar.

Prefácio de David Azoubel.
Arte da Capa: Jonas de Sene.

Lançto.:
Data: 7 de maio a partir das 19:30 hs
Local: Templo da Cidadania
R.Conde Afonso Celso, 333, Rib.Preto

+informações e vendas pelo blog:
http://www.caiogarrido.blogspot.com/


Download do Livro "Pena que foi Ontem"


domingo, 30 de janeiro de 2011

Mia Couto – “Antes de Nascer o Mundo”


Raramente podemos nos deparar com um novo escritor, um novo artista da palavra que o “mundo” pouco conhece, e que pode nos surpreender de maneira inequívoca… Este é o caso do autor moçambicano Mia Couto.


A poesia presente na narrativa em prosa de Mia no Livro “Antes de Nascer o Mundo” impacta de forma crescente o leitor.


O primeiro capítulo já é um convite e um prenúncio da “viagem”: “O Afinador de Silêncios”; Mwanito, o primeiro personagem que aparece no roteiro, é quem começa a contar a história. De forma sensível e surpreendente, descreve cenas que vão ficar para sempre na memória.


A África é mostrada de forma apaixonante, misteriosa e fantástica, através dessa história que se passa na cidade ficcional de Jesusalém.


Aproxime-se do que é um pedaço do livro:
“—Pai, a mãe morreu?
— Quatrocentas vezes.
—Como?
—Já vos disse quatrocentas vezes: a vossa mãe morreu, morreu toda, faz de conta que nunca esteve viva.
—E está enterrada onde?
—Ora, está enterrada em toda parte.”


Só por essa leitura, para mim Mia Couto já pode estar com sua cadeira seleta no Hall dos melhores escritores do mundo. Antes que o Mundo Acabe, dêem uma conferida nesse livro e autor. Sublime…

“Jesusalém, ermo encravado na savana, em Moçambique, abriga cinco almas apartadas das gentes e cidades do mundo. Ali, ensaiam um arremedo de vida: Silvestre e seus dois filhos, Mwanito e Ntunzi, mais o Tio Aproximado e o serviçal Zacaria. O passado para eles é pura negação recortada em torno da figura da mãe morta em circunstâncias misteriosas. E o futuro se afigura inexistente.
Silvestre afiança aos filhos e ao criado que o mundo acabou e que a mulher — qualquer mulher — é a desgraça dos homens. Mas um belo dia os donos do mundo voltarão para reivindicar a terra de Jesusalém. E não só isso: uma bela mulher também virá para agitar a inércia dos dias solitários daqueles homens.
Mia Couto é um dos maiores expoentes da literatura africana de expressão portuguesa. Moçambicano e amante confesso da escrita inventiva do brasileiro Guimarães Rosa, ele é um artista investido do poder mágico e poético das palavras. Mas é da alma do povo de seu país, bela, trágica, alegre, sofrida, enigmática, que este poeta da prosa extrai seu ouro universal.
Em Portugal, Moçambique e Angola, o livro recebeu o título de Jesusalém.”

domingo, 31 de outubro de 2010

Coração Nascimento


Não... Não é do Milton Nascimento que vou falar... (...) Nem do Coração de Estudante... (os estudantes e professores agradeceriam se fosse).
É do Capitão Nascimento, que vinga o nascimento do Dilmão...

Por vezes pensei que falar de política é falar de um rascunho usado... Não adianta mexer que vai piorar...

Mas hoje, ao me deparar na tela de cinema com a brutal intensidade com que o personagem Nascimento ataca o Secretário de Segurança Pública, vertendo toda sua vingança contra o Sistema que estrutura as sinapses da corrupção brasileira, levou-me a uma espécie de deleite instintual.

O Sistema é um arcabouço de politicagem de densa gramatura, que corrói o ventre da sociedade brasileira. Todo nosso ódio em relação aos poíticos mendicantes de voto é traduzido na melancolia de se votar nessa infeliz eleição. É fato fúnebre ser obrigado a votar hoje em dia. Não porque a utópica democracia não exista, mas porque apesar de tudo temos de tentar votar no menos pior, e pior, não temos um candidato menos pior. Por isso tamanha inflexibilidade na nossa vontade de votar. É extremamente melancólico ir às urnas.

E para deixarmos de ser melancólicos, temos de rir. Usando as palavras que saem da boca de um corrupto personagem do filme Tropa de Elite II: "Quem quer rir tem que fazer rir". Capitão Nascimento sabe bem disso. Hoje foi o herói nacional pra mim. Através da estória "ficcional", nos remeteu a um estado de beatitude vingatória contra o Sistema in-operante. Quando somos impedidos por obstáculos reais de satisfazermos nossa instintualidade (que seria fazer com Dilma e Serra o que Nascimento faz com Guaraci), realizamos nossos desejos através da simples evocação de impulsos, antes impedidos de se realizar, e encontram acesso através de uma atividade onírica-óptica semi-alucinatória de um filme, por exemplo.

Como diz Freud em "Os Chistes e sua Relação com o Inconsciente", os chistes ( "Freud define o chiste como um "jogo desen­volvido" em que se procura "ganhar uma pe­quena dose de prazer à custa das atividades livres e sem obstáculos do nosso aparelho psí­quico e, mais tarde, apoderar-se desse prazer como um ganho casual".") tornam possível a satisfação de um instinto (seja libidinoso ou hostil) face a um obstáculo. Evitam esse obstáculo e assim extraem prazer de uma fonte que o obstáculo tornara inacessível."


Através do filme, atravessamos esse obstáculo. E assim satisfazemos nossas necessidades mais básicas.

Talvez o dia de hoje ainda seja o rascunho de um filme com fim programado. Pois, como diria Gabriel García Márquez, uma engrenagem de repetições irreparáveis, uma roda que continuaria a dar voltas até a eternidade, só não roda eternamente por causa do desgaste progressivo e irremediável do eixo.

domingo, 15 de agosto de 2010

Blog Amigo

Olá, pessoal, gostaria de convidá-los a entrar no blog do xará Caio Bauléo. Poesias e tudo mais... Abrs!


http://mousseficando.blogspot.com/

terça-feira, 27 de julho de 2010

A mão que afaga é a mesma que destrói?

Este é um pensamento velho, xôxo.


Mas digamos que não o seja… (Acho que devemos ter esse mesmo empenho com todos os pensamentos antigos, usados, obsoletos)


Esses dias me peguei pensando… Ao tomar conhecimento de uma obra musical, eu vi que a mesma fora patrocinada por uma grandiosa empresa de Petróleo. Provavelmente é um merecido projeto patrocinado por ser uma obra artística de alto valor cultural para o país. Não tenho dúvidas de que a obra musical citada tenha uma miríade de valores.


O que questiono aqui é o fato de estarmos todos tão amalgamados a um Todo, que, quer queiramos conceituar como ruim ou bom, estamos Nele. A cultura e a sociedade que vivemos é um caro exemplo disso. Como poderíamos conceituar a empresa petrolífera neste caso? Uma empresa de alto valor social, prestativo? Uma seda que cobre e disfarça um mar de terror e descaso para com a sociedade humana? As duas coisas? Nem uma coisa nem outra?


Difícil não? Assim como a maioria das “coisas” da vida, tudo que pegamos como um “objeto” final e de essência última, não conseguimos achar essa essência última. E porque não? Porque essa essência não existe.


No caso parcialmente despido acima, podemos ver o quanto está impresso em nós um “estar no mundo” que não permite totalizações últimas e definições últimas.


Já deixei claro em outros escritos o quanto acho que o mundo é governado não por políticos, mas por grandes empresas. No caso de empresas de petróleo, o caso é muito grave. Pois são elas que mancham (literalmente) o nosso mundo. Essas empresas comandadas por “bípedes”¹, governam a razão dos ambiciosos descabidos, saqueiam a beleza natural, matam ideias possuidoras de potência criadora e agregadora para os humanos. Mas somos tão culpados e coniventes com tudo isso, que é impossível saber o começo e o fim dessa grossa e condensada camada de “lama”. Olhemos nossa “Sombra”. Somos consumidores ou cão-sumidores? Talvez o melhor seja assumirmos nossas dores.



“Devemos encarar com tolerância toda loucura, fracasso e vício dos outros, sabendo que encaramos apenas nossas próprias loucuras, fracassos e vícios. Pois elas são os fracassos da humanidade à qual também pertencemos. Assim temos os mesmos fracassos em nós. Não devemos nos indignar com os outros por esses vícios apenas por não aparecerem em nós naquele momento." - Arthur Schopenhauer – trecho de Parerga e Paralipomena

¹
Quem conhece Schopenhauer sabe do que estou falando… rs


poema em papel de pão ; Fy: VCSBDQSTFLND

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Enquanto a Copa não vem...



Este título de post pode até sugerir uma certa dose de ansiedade e vontade de ver o grandioso futebol na Copa do Mundo de 2010. Mas fora o título, não há sopa que possa fazer esse caldo dar certo desta vez em minha cabeça.



Por muitas Copas me rendi e cheguei ao cúmulo – tal qual muita gente – de não perder nenhum jogo do embriagante (no bom sentido) torneio. Mas neste foco não permaneci, e pela primeira vez acho que vou acompanhar com uma deslocada sobriedade, desencantamento, realismo, e… algum saudosismo… Lembro com intensidade de como comemorei o lindo gol do “Careca” na Copa de 86 contra a França (um dos mais bonitos que já tive a oportunidade de ver), em meio a uma tradicional festa na casa de minha Vó. Lembro como no mesmo dia, após a impossível perda de um pênalti por Zico, e após uma derrota sofrida para o maior carrasco do Brasil em copas, saí chutando as cadeiras de plástico coloridas, em meio à insatisfação por um desejo refreado. Mais do que essa “dor” da perda, ficou em minha memória a delícia de ver um dos melhores jogos de futebol, e jogadas de craque.



Me parece que são elas as vilãs. Elas quem, você pode me perguntar… As cadeiras? Não, as jogadas de mestre, as obras vivas de arte. Há quem diz que futebol é poesia… Acredito que sim. Mas ultimamente o que temos visto é uma dissertação chata de como se entediar um cão.



Parecem todos adestrados pela visão racionalista e indesculpável da garantia da vitória. O ser humano tem em seu íntimo um complicado conflito que nada entre a contenção e a liberdade. Vivemos entre esses dois pólos quase que diariamente nas mais diversas e sutis decisões. Já é dia de querermos aposentar esse desconfortável choque interno, mas deste somos parte. Mas um recalque de envergadura se arma no interior do futebol. Uma reprimenda tamanha de algo contra o que eu poderia chamar de um “instinto de brincar”. Tal instinto parece estar sendo reprimido em seus participantes. A arte de jogar bola está ficando totalmente em segundo plano, para estar em consonância com a produtividade. Os torcedores sul-africanos, por exemplo, ficaram consternados em constatar em um dos treinos da seleção brasileira que o Brasil não trouxe Ronaldinho Gaúcho. Eles perguntavam aos jornalistas e se perguntavam quase inocentemente: “Cadê o Ronaldinho?”. Eu também estou até agora perguntando isso, bobo que sou.



Confesso que para escrever essa pequena critica ao futebol atual, me inspirei num cara que sou fã de carteirada (carteirinha ilimitada). Não, não é um jogador de futebol. É um psicanalista e professor, apaixonado por futebol e mitos. David Azoubel. ponto. No seu segundo livro “O Futebol como Linguagem: Da Mitologia à Psicanálise”, o autor faz algo raro, a inserção da linguagem psicanalítica no campo dos esportes, integrando fatos do esporte com a mente e os mitos humanos mais “embrionários” possíveis.



Pensando na repressão dos instintos e na moderna tentativa superegóica técnica de auto-dissolução de uma arte, vou tentar embasar minha tentativa de argumento contra o racional futebol atual, através de uma das mais exuberantes páginas das 300 que compõe o ‘Ensaio’ de David. Diz ele:

Tenho certeza de que se eu afirmasse que existem jogadores que, quando fazem um gol se sentem tão culpados que se retraem e não raramente somem no jogo, isso poderia causar até um certo espanto. Culpa de quê? Por que eles ficam culpados? A resposta mais exata e precisa nos obrigaria a mergulhar no mundo subjetivo dessas pessoas, na estrutura mais íntimas de sua mente e de seus processos ideo-afetivos. Mas já, que é para resumir (às vezes me parece mais condensar), me arriscaria a dizer que é culpa do sucesso. Isso existe mesmo? Existe sim, não é fantasia de psicanalista desocupado. Não gosto de citar exemplos clínicos, mas não resisto à tentação de citar um deles, uma pessoa que conheci, homem de meia idade, competente, brilhante mesmo no exercício de sua profissão, toda vez que era promovido no seu trabalho tinha um acidente grave de carro, um acidente do qual sempre escapava por milagre. É verdade. O inconsciente da gente existe, e há mais de três milhões de anos vem se especializando em brincadeiras de mau gosto e atos, na maioria das vezes, absolutamente ilógicos… A maioria das pessoas sofre de um grave impedimento nas relações com o pai, ou com alguém que represente sua autoridade. Isto acontece em muitos sentidos, tanto de uma forma mais concreta como de acordo com os mais variados modelos. Afinal de contas, uma metáfora nada mais é do que a possibilidade de se fazer variações sobre um mesmo tema. E em todas as culturas o pai é, e sempre foi, uma figura poderosa. Por que teria que ser diferente na hora de jogar futebol? É compreensível que esse relacionamento possa ser transferido para o técnico, para os seus auxiliares e demais autoridades (incluindo os “cartolas”) mais ou menos próximos aos jogadores… A possibilidade de tolerar o sentimento de sucesso sem enlouquecer durante um período de tempo mais prolongado, é um fator significativo para qualquer um de nós, seja qual for o tipo de profissão escolhida.”



Deixo a pergunta aqui: Afinal de contas, quem é o “pai” desse futebol órfão de hoje?




Link da chinelada de Careca em 86 - http://www.youtube.com/watch?v=rLXJtYv2hog

sábado, 8 de maio de 2010

Pena que Foi Ontem


Meu primeiro livro, um Romance em Prosa e Poesia – “Pena que Foi Ontem”, estará sendo lançado dia 22 de maio (sábado) no Templo da Cidadania em Ribeirão Preto . Endereço : R. Conde Afonso Celso, 333. às 20:00 hs.

Mais detalhes no blog:
http://penaquefoiontem.wordpress.com/

Já à venda: contatos por email (email está no blog do livro)

Abrs...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Perdi o Fôlego

Me ajudem, assoprem por favor...

sábado, 24 de abril de 2010

Eis porque sou contra a "chapinha"

“Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein.”
Oscar Niemeyer

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Nos limites da loucura e da genialidade

Os psicóticos são exemplos clássicos de uma obra inacabada da natureza. Não é um julgamento isto que estou falando, nem um comentário maldoso. Simplesmente fato. Realidade. Realidade conturbada…
E a personalidade psicótica (assim como a esquizofrênica) é datada. Datada, pois é algo para Ser, que não vingou, ou ainda não vingou da maneira essencialmente “natural”. Um tempo primitivo da mente que se desintegrou. É como se os conteúdos do Id, os impulsos inconscientes instintivos, não podendo simbolizar-se, não atingindo satisfação nos momentos de vida mais primevos (na relação com a mãe), perderam o contato com a realidade, e estapearam a camada fina de um ego ainda em formação, e tornaram este ato, um ato quase ilícito, um ato de revolta de impulsos rebeldes.

Essa “rebeldia” inconsciente é algo que se não administrada pelo ego, coagula em loucura, ou se bem direcionada (se é que isso é possível) pode trazer uma superação das insatisfações pulsionais através de atos sublimados, como a arte e a criação em geral. Acredito que a loucura, a genialidade e atos artísticos estão sobremaneira ligados.

O ato artístico tem um porém, que é algo definido como uma transformação de conteúdos instintivos em pulsões que buscam como o objetivo a expressão na arte. É a tal da sublimação, tão pouco explorada por Freud.

Já a loucura vem de expressões do inconsciente, que por algum fator desconhecido (apesar de termos conhecimento de causas “ambientais” e genéticas) irradia todo um jorro de conteúdos sem simbolização para o indivíduo que sofre do mal, e dispersa todo esse excesso de energia psíquica em algo extremamente irreal. Daí vem as ilusões, delírios, alucinações.

Os gênios artísticos do nosso tempo são exemplos de casos de pessoas que chegaram a um ponto em que a loucura, ou algum traço/tipo de loucura, o prazer, e realização artística se fundiram e se confundiram. Exemplos como o de Nietzsche, Beethoven, Virginia Woolf, Salvador Dali, Tchaikovsky… A lista vai longe. Geralmente são pessoas dramáticas (no bom sentido e no mal às vezes), altamente emotivas, e carregadas de sentimentos.

A criatividade está muito ligada ao fato de se lidar com conteúdos advindos do inconsciente, dando a eles uma direção, um objetivo. Já os impulsos que perdem a funcionalidade, se tornam caóticos e ultrapassam sem filtros a barreira de contato que controlaria estes impulsos, ocasionando disfunções no aparelho psíquico.

W.R. Bion, psicanalista e teorizador da psicanálise, definia a barreira de contato como uma “fronteira” que se responsabilizasse por preservar a diferença entre Consciente e Inconsciente, preservando assim o Inconsciente. E da qualidade da barreira dependeria a conversão de elementos do Consciente para o Inconsciente e vice-versa.

Os gênios na maioria das vezes se aproximam perigosamente da loucura, pois há uma convulsão de elementos do inconsciente que atravessam uma certa “barreira” psíquica e vão em direção ao consciente, tomando assim alguma Forma. Quando esses elementos tão atraentes ao psiquismo, mas ao mesmo tempo temidos e rechaçados pelo consciente não tomam uma Forma, possibilitam a existência de “cargas” livres, uma energia, uma libido desvinculada de “objeto” que pode na maioria das vezes causarem “sintomas”.

Essa é a tênue linha pela qual caminham os seres demasiadamente criativos, desviando-se de atropelamentos de impulsos, e atravessados por insights e potências supremas, que se não bem administradas, podem levar à algum tipo leve ou desconjuntado de loucura.

Se de gênios e loucos, todos nós temos um pouco, não saberia dizer, mas os nossos sonhos nos dão uma amostra de toda essa vibração, criação e loucura inconsciente.

Que façamos mais “loucuras” conscientes!

sábado, 27 de março de 2010

Como Sonhar em Mi Bemol

Prepare duas chícaras.
(Uma pra si, outra para o outro si que há em ti)
Chá de ervas herbáceas
Uma leitura de os vassalos só choram à meia-noite.
Aqueça a voz.
Aquela Voz...
Permanente, Onipresente, Pungente.
Veja o Pleonasmo de si na voz passiva...

Trata-se de pegar aquele Fundo Falso, o calabouço que guarda a erupção de um vulcão hibernado e quente, guardado à sete-chaves-perdidas no canto do couração-mente,
E traduzir esses versos estéreis, tornando-os etéreos, em estéreo...

O verbo que solfeja em quartos diminutos,
Falsifica.
Para Sonhar,
sem arritmias, com harmonias, exaltando o que há de Si, o que há de Mi...
Não precisarás
nem de iluminação, nem de farol,
Bem-te-vi. Já estava .

Latente,
o Bemol.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Pela Diminuição da Jornada de Trabalho- Um Grito

Por que se fala tão pouco nisso? É um medo generalizado, ou apenas uma tortura silenciosa corrompendo as mentes?
Tanta parcimônia em se pensar sobre isso sobrevem aos meus sentidos...
E meus sentidos quase me gritam e me guiam como um oráculo que perturba por dizer a verdade. E sendo direto e objetivo, meu simples "Eu" acha que uma mudança de magnitude simples, mas eficaz, como a diminuição da jornada de trabalho, além de alocar mais empregos, faria de nós, provavelmente, seres humanos melhores.
O mundo cercou-se de configurações de trabalho, de cultura, que aprisionaram o ser humano, que aliás, gosta de uma prisãozinha que o "machuque" e o pertube.... Ou você acha que a Segunda-Feira, o Sábado ou o Domingo realmente existem ?
A Terra gira, e minha cabeça também...
Esparramo-me aqui em frente a esta beleza de computador, construído pela inteligência bem instruída da humanidade, e me pergunto: Será que não há outra versão de nós mesmos mais inteligente e criativa do que esta que está por aí e por aqui e por vir?
Quantas vezes você já pensou que não poderia ter mais tempo, para a diversão, para outros afazeres, para a família, enfim, para viver?
O trabalho é fonte de sobrevivência, de altruísmo e de prazer, porque não? Mas tudo em excesso provoca fadiga e tensão...
Na Espanha, eles fazem a "siesta", na Bahia, dizem : "Mais devagar, meu nêgo, hoje é sexta"...
A minha verdade é que trabalhamos demais. Não sobra espaço para uma vida mais saudável e criativa...
Se foi a religião, ou deus, ou algum outro capitalista por aí, que nos deixou o sábado e o domingo de lambuja, não importa... O que importa é duvidar do mundo que criaram para você e por você...


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Aos trabalhadores de verdade:

Bater o Cartão de Ponto x Vida na obra

Bati o Cartão
Às três horas meio dia
Meia-noite ainda era dia

Terremoto facilita o voto
Treme a enxada no chão
Do trabalhador sem roupa
Ser-nada, não-ladrão

Paz como vive aqui...
Visito os pobres
Por trás do vidro-fumê
Do carro empalhado em minha mente pela TV
E os pobres?
Ah
Eles suam nas ruas a carne
Que é pra você ter onde comer

Bati o cartão ao fim-do-dia
Amanhã de novo é Bom-dia!

Trancado e empregado
Não é tão bom...

Mas é como ser
um ser premiado
por poder ver e até escolher
aquilo que muitos nem sonhar
podem acreditar em crer

Posso bater o cartão a vista
E eles? A prazo, a perder de vista?

Digo aos quatro ventos;
(Ventos, pois dizemos
e ninguém ouve, acho que ouvimos cada vez menos):

Cartão de Ponto é fazer hora
Vira dois pontos em uma hora
Unir dois, três, quatro pontos
É pra poucos
Poucos irão morrer por uma Obra.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

O Budismo Original - Sem Distorções


Como toda religião, o Budismo não passa indiferente às distorções de significados, linguagens, e deturpações por assimilações com outras religiões na história, fato muito comum na história das próprias religiões.

O Budismo inicial, primevo, ditado por Buda, era isento de idolatria a deuses, isento de dogmas. Foi se criando ao longo do tempo uma série de doutrinas a partir de sua morte, distorcendo assim as fontes.

O budismo sempre foi uma mescla de religião e filosofia. Era sim uma filosofia, das mais perfeitas. Mas também não deixava de ser uma religião, pois pretendia a salvação da alma do Homem.


Buda sempre deixou gravado na sua filosofia a verdadeira liberdade, livre dos grilhões que sempre se acumulam no espírito e no pensamento. Dizia ele:


"Não acredite em mim porque sou o seu professor. Não acredite em mim porque os outros acreditam. E também não acredite em nada porque leu num livro. Não coloque sua fé em relatos ou tradição ou rumores ou na autoridade de líderes ou textos religiosos. Não conte com mera lógica ou inferência ou aparências ou especulações. Conheça por você mesmo que certas coisas são prejudiciais e erradas. E quando o fizer, então desista delas. E quando souber por si próprio que certas coisas são benéficas e boas, então as aceite e as siga."


Cabe dizer também que o o budismo original sempre tinha como esmero a libertação do sofrimento durante a vida. E não na extinção dela.

E que a filosofia que mais se aproxima hoje do budismo original é a do Zen.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Curso de Formação em Psicanálise - Núcleo Távola


CURSO DE FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE - NÚCLEO TÁVOLA - RIBEIRÃO PRETO


Para mais informações, acesse o link:

http://www.nucleotavola.com.br/

domingo, 31 de janeiro de 2010

Namastê Filosófico – A busca pela Verdade


“A Verdadeira filosofia zomba da Filosofia” - Blaise Pascal


Depois de ler o Livro de Simone Regazzoni, que discorria sobre toda Verdade que ele via na famosa série televisiva “Lost”, tive a intensa ideia de falar um pouquinho sobre a tal da Verdade que a Filosofia sempre buscou.


A busca pela Verdade, da verdadeira, íntima, realidade das coisas, do Autógrafo de Deus, sempre foi o fundamental prisma na qual a Filosofia se engajou.

Cabe perguntarmos: O Conhecimento da Verdade (toda) realmente é tão importante? Se respondermos que não, veremos que talvez haja uma espécie de “libertação” a partir de tal ponto.


Vamos partir então da ideia da existência de alguma essência de que poderíamos chamar ou denominar de “Eu”. Submetendo este conceito de “Eu” ao crivo da dúvida metódica clássica filosófica, ou mais precisamente, da filosofia budista, por exemplo, (para saber mais sobre Budismo, vale alguns cliques: http://www.acessoaoinsight.net/ -- http://www.dharmanet.com.br) poderemos chegar à conclusão de que não existe um “Eu” propriamente dito. O que existe, meramente, é um conceito de “Eu”.


Quando alguém, genericamente reconhece em ti algum “Você”, ou exemplificando, alguém traz algum tipo de reconhecimento a um trabalho seu, algum esforço, ou alguma gratidão a você, imediatamente você se sente congratulado ou pelo menos um pouco envaidecido. Não há mal nenhum nisso. O Reconhecimento, o ato de reconhecer ou ser reconhecido por algo é deveras importante. E é importante não porque reconhece algum “Eu” de que você irá se orgulhar; O que está no fundo deste filme é mais profundo. É importante, pois, reconhecer seu “trabalho”.


Reconhecer seu Esforço.
Reconhecer seu Sofrimento para a consecução de algum objetivo.
Reconhecer seu Desejo para sair do “Sofrimento”.


Reconhece assim sua Humanidade por trás de tudo isso. O “Humano” em Você. A Força da vida que te anima. Pois o que arde em você, arde em mim.


Isso tudo reconhece que a “diferença” existente entre dois indivíduos é apenas aparente. Certifica-se através de uma palavra, um gesto, que o Outro é semelhante a você. É como se uma voz falasse: “Agora te reconheço como eu mesmo.” O Reconhecimento é Transcendental.


E onde está a Verdade nisso tudo? Em tudo...


Se esquecermos a ideia de “Verdade”, iremos nos ocupar do “Aqui e Agora”. Sempre irá existir a realidade que está Além. Então apenas cuidemos de nossas plantações e colheitas, de nossos “irmãos”, de nossa casa. Isso de certa forma basta.


Reconheço o deus que há em você. Namastê!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O Luto das Tragédias da Natureza (hO Men) hóminúsculus


Hoje de manhã acordei, abri a janela, olhei no vaso com plantas amassadas pelo vento que sopra sem certezas nem objeções, e reparei que não tinha Poemas para colher.

Sentei amargado junto ao palco da minha sacada e observei o mundo ensacado pelo verão que conspira como se fosse um inverno. Invertidas sensações que não me acolhem, pois não as planto, e em doce pranto que me penteia com retalhos de um esquecido canto, sinto a vertigem de ouvir os ruídos que agora me permeiam em meio ao turbulento ponto de apoio que não sei se tenho.

Ruídos que enrijecem meus miolos e músculos, e me deixam tenso como uma corda sem melodia.

Estou cercado por um mundo torto, desconexo, sem conserto nem concerto.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Namastê Psicanalítico – O Sentimento Oceânico


Com o passar do tempo e decorrer de vida deste blog, fui me distanciando do escopo psicanalítico, no qual era o principal objetivo e exercício de raciocínio deste blog.

Com o intuito de levemente aproximar-nos novamente da Psicanálise, vamos começar por onde terminamos os últimos “posts”: Em direção a uma maior consciência...

Peguemos então nossa jangada e avistemos as ilhas ainda não descobertas...

A ideia da possibilidade de se maximizar a Consciência humana, se Utopia ou não, vem também da própria ideia de Inconsciente, dado lançado de forma inconsciente por filósofos antigos, e de maneira genial e inovadora por Freud.

Somos parte de um Todo...

A Física, a Química, a Espiritualidade em seus diversos “ismos”, a Psicologia, enfim, muitos canais de conhecimento e sabedoria nos falam e flertam com isso.
Uma certa interconexão entre os seres vivos, a “matéria”, a energia, sempre foram alvo de estudos e de elucubrações.

Tal inter-dependência é caracterizada por um “mundo inter-relacionado ; um planeta que é um organismo vivo, onde cada habitante, cada ser está interligado...” - (Fy- http://windmillsbyfy.wordpress.com)...

Mas porque na maioria de nós, humanos, temos o sentimento de estarmos desplugados do mundo a nossa volta? É uma rotineira sensação que nos alcança sob diversas formas...

Apesar disso, acho que tal compreensão de perda de sintonia e de procura de uma volta, está mais perceptível à nossa atenção. E realmente estamos tentando “reperceber” ou reaprender esta interconexão, pois a realidade não tem revestimento.

Não será esse sentimento de eterno despreparo frente ao mundo e sentimento de desconexão, algo advindo de um sintoma ou desequilíbrio neurótico?

O corpo teórico da Psicanálise pode nos oferecer algumas razões a respeito disso.

Freud, no seu famoso livro “O Mal-estar da Civilização”, nos fala a respeito do sentimento oceânico, do qual ele mesmo não sente em si; “Nosso presente sentimento do ego não passa [...] de apenas um mirrado resíduo de um sentimento muito mais inclusivo - na verdade, totalmente abrangente -, que corresponde a um vínculo mais íntimo entre o ego e o mundo que o cerca. Supondo que há muitas pessoas em cuja vida mental esse sentimento primário do ego persistiu em maior ou menor grau, ele existiria nelas ao lado do sentimento do ego mais estrito e mais nitidamente demarcado da maturidade, como uma espécie de correspondente seu. Nesse caso, o conteúdo ideacional a ele apropriado seria exatamente o de ilimitabilidade e o de um vínculo com o universo – [...] o sentimento ‘oceânico’. "

Existem certas condições psíquicas existentes nos indivíduos que são geradas e guiadas por um contorno especial, trazido como se fosse uma memória afetiva dos tempos glórios e inglórios da relação com a mãe, no período compreendido desde o enovelamento narcísico no útero da mãe, até a concepção, a amamentação, o desmame, e todas as outras formas de separações inevitáveis que vão ocorrendo ao longo da vida.
Rompimentos ou vivências que possam ter acontecido de forma demasiadamente abrupta ou com sofrimento (toda separação é um sofrimento), podem acarretar uma série de complicações psíquicas ao humano.

E no decorrer dessas “faltas”, sentidas como perdas irreparáveis, propiciam uma sensação de que se está só, e de que toda relação, como o amor, a amizade, ou a falta dessas, ficam implicadas por esses denominadores que ocorreram na infância constituinte mental e inconsciente do indivíduo.

O ponto que quero tirar de tudo isso é: Talvez estes sentimentos experimentados de separação, angústia, nada mais são que um efeito intrincado de causas longínquas, que estavam presentes em um tempo que não podíamos refletir e digerir bem certos momentos emocionais, e que de alguma forma ficaram eternizados numa certa sensação de mal estar e outras piores, variando com os diversos graus de constituição e genética pessoal, e da formação de cada Inconsciente, único e abundante de significações e simbolismos.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Se tivesse um filho, ele seria um “Avatar”...


Se tivesse um filho, ele seria um “Avatar”...

É nesta dimensão que inicio este texto e esta prescrição de Vida. Pois a nossa, no mundo de hoje, está obsoleta.

Para ultrapassar a obsolescência de nosso teatro vital do dia-a-dia, é bom nos atentarmos às mais diversas artes e aos mais diversos estilos de vida, para podermos enxergar um pouco além e ir em direção ao nosso “Eu” verdadeiro e “absoluto”.

O Cinema como arte, talvez seja o modelo mais profícuo para se atingir um grande público mundial “de uma só vez”. E o filme Avatar _ atual modelo mais bem sucedido de uma obra de arte de mais alta tecnologia_ mobiliza uma série de questões fundamentais da modernidade, e tem um poder que ultrapassa as linhas da tela 3D.

Além de ser um divisor de águas da história do cinema, certamente o que ele nos provoca é uma sensação de estarmos participando em conexão com algo grandioso.

Através do uso da própria tecnologia, inerente à própria manufatura do filme, “Avatar” nos comunica, através do que poderia se dizer uma meta-linguagem, sobre as discrepâncias do uso irrestrito de nossa capacidade de “conquistar”, de nossa ambição desenfreada e de desbravar e assim destruir novos territórios...

O cinema ocupava um campo em que, há uns anos atrás, cuidava apenas de passar mensagens de maneira a fortalecer o “equipamento” desgregário do ser humano, principalmente dos americanos, fortalecendo a ideia e a crença de que os americanos eram os mocinhos virgens desamparados e o resto do mundo eram os inimigos nº 1 dos mesmos.

O que vemos hoje é uma possível retratação em relação a essa fonte inicial de manipulação. O Mal que assola hoje a humanidade é muito mais dissolvido e menos visível em suas origens internas, pois está lá, na mente de todos Homens.

É talvez, um modismo, dizer que estamos caminhando a uma maior consciência. A minha impressão é que existe uma pequena parte da humanidade que esteja indo em direção a uma maior consciência.
E parte do que vemos no filme Avatar, é uma sutileza popular em forma de tecnologia em sua mais alta perfeição, que atinge o âmago das questões atuais.

Em um tempo sem precedentes que vivemos, temos o desgosto ou o privilégio de podermos encarar um momento único da história humana. A sua profunda conscientização é praticamente um dever e uma responsabilidade. Ou então, a sua destruição, que já está caminhando a passos largos.

Como vamos participar deste único e talvez último chamado?

Já estamos em um mundo em 3º Dimensão, resta-nos usar a faculdade de pensar, talvez pela primeira vez.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

***LUTO*** - O Haiti é AQUI!


Quando não temos palavras para descrever tamanha tragédia, nem mesmo a quem culpar certamente, resta-nos a dúvida... a dor....


sábado, 19 de dezembro de 2009

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A Dança e a Vida


Olá, amigos, hoje vou postar um texto escrito pela Fy, amiga virtual, do blog:

http://windmillsbyfy.wordpress.com/

Ela lança palavras para fecundar a harmonia entre Corpo, Ritmo, Dança, Vida e Imaginação...




A Dança e a Vida

- e.... que apresente linhas

mutantes “sem fora nem dentro, sem forma nem fundo, sem começo

nem fim, tão viva quanto uma variação contínua” -

Quando um corpo dança, abre-se para captar as mais finas vibrações , ele ativa sua sensibilidade, seus sentidos, para atrair a energia do mundo, de uma forma sutil, leve, que o faça transportar a novas passagens.

Quando um corpo dança , comunica-se com suas ausências e com seus silêncios, dá-se contorno : e, assim , potencializa o surgimento de novos corpos.
Isso o coloca numa outra dimensão temporal.
Colocar tempo no corpo pode significar abri-lo ao regime do sutil, ao devir imperceptível, às velocidades e lentidões, às pequenas percepções e ao vir a ser: Viver é como Dançar.

- Uma vez que se tenha encontrado a si mesmo é preciso saber, de tempo em tempo, perder-se. ... e depois reencontrar-se: pressuposto que se seja um pensador. A este, com efeito, é prejudicial estar sempre ligado a uma [ só ] pessoa. - [ em si-mesmo]

Nietzsche

Aceitemos a sugestão de Nietzsche.
Não sem antes oferecermos sobre ela uma certa : resistência.

E é porque acatamos, ao mesmo tempo em que resistimos, que o movimento se inicia e vemos surgir uma dança. Tal qual a Vida.

Dança que se faz de ampliações e recolhimentos, de aceitações e de resistências.

Se assim não fôsse, não haveria o surgimento do balançar que nos revela através de sua coreografia nascente, um novo ritmo, novas formas que acolhem e expressam transformações ocorridas, fruto de consentimento e ao mesmo tempo de violação exercida sobre esse corpo que dança. Ou que vive.

Vemos nesta dança a expressão de forças que obrigam esse corpo a ampliar-se, a recombinar seus elementos, a flexibilizar-se, a dizer “Sim”.

Forças que o fazem proteger-se, encorujar-se sobre si mesmo, endurecer-se, resistir aos apelos, dizer “Não”...

Balanço, dança, ritmo: Vida.

Não há Vida sem este movimento que ora recai do lado das forças que buscam Expansão.

Introduzimos a metáfora da dança, expressão desse movimento, para que possamos melhor visualizar o ritmo, o balanço que compõem a nossa própria existência como seres humanos.

Assim, um pouco mais entregues a este balançar, vamos dele nos aproximando, a fim de que possamos melhor observar as forças que o originam.

Didaticamente, seria bastante sedutor que pudéssemos separar estas forças em dois grupos distintos: um deles relativo ao Movimento de Retração e Recolhimento e o outro, relativo aos Movimentos de Expansão.

Mas, infelizmente, somos logo levados a não fazê-lo, pois não há intervalo suficiente entre eles que nos permita congelá-los em uma imagem estática e rígida.

O que há, , é “ritmo” : que fala de um Vai – e – Vem imperceptível, onde o movimento de ida , “já requer” : reclama o de volta.

Assim, o movimento de retração é sempre um apelo de suplemento ao movimento de expansão e vice-versa.

Isso nos permite afirmar que não há como privilegiar um polo, menosprezando o outro.

Os dois são absolutamente necessários à manutenção da Vida: o instituido, o mesmo, o reconhecível,o permanente, de um lado, e, do outro: o: “a ser instituído”, o devir, o novo, o diferente. [ o desconhecido ]


Fy

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Teatro : Um leigo em “Suspensão”


Uma mistura de influências de atos artísticos das mais diversas ordens: Shakespeare, Quentin Tarantino, Saramago, Nietzsche. Assim é a minha sensação, reflexão de um leigo em Teatro. A Peça em questão é Suspensão, da “Trupe Acima do Bem e do Mal”, grupo de Ribeirão Preto, com texto escrito por Lucas Arantes e dirigido por Mateus Barbassa, com o elenco: Fernanda Lins, Davi Tostes, Ademir Esteves, Maria Angélica Braga, Lucas Chaves.

Realmente, o efeito da obra fica em suspensão. Do grau de aturdimento deixado no Inconsciente, o “Consciente” fica tentando amalgamar ideias em torno da causa que gira no decorrer da peça.

As texturas experimentadas são de temperos com odores variados, como as sensações noturnas que costumam nos tragar, sensações inquietantes e angustiantes, em torno do motivo principal da peça que é um mundo sem ninguém, só o Avô, o ELE e o ELA. É a necessidade intrínseca à vida que é a necessidade da existência do Olhar do Outro.

Nomeado pelo diretor da peça como de influência do Pós-Dramático, o mundo espelhado no palco é de uma morte em busca da vida, ou a vida em busca de uma morte... O impacto do silêncio, da falta de motivos pelo qual se mover, se motivar e se esperançar...

O constante apagar das luzes em momentos-chave e a repetição de falas e cenas nas cenas, dão um aspecto cinematográfico à peça.


Quem quiser saber mais, acesse

www.lucasarantes.wordpress.com

domingo, 22 de novembro de 2009

Os sonhos e os alpinistas de ilusão


Esta noite tive um sonho:

Pela grande barba caída do pai, subia um menino em miniatura, isto é, um homenzinho do tamanho de um dedo mindinho. Escalava sua braba barba quase como um alpinista, ou um nadador subindo a cachoeira em vez de descê-la. Ele perpassava pelos pêlos misturados de cor branca e acinzentados, como se fossem águas banhadas por um sal grosso que estava já há muito tempo cristalizado por lá. Do queixo de seu pai, ele avançava pelo rosto endurecido, como um sabotador de formas, ora penteando flagelos de nariz, ora plantando espinhas com suas sementes de suor. Sabia que o caminho era tortuoso, salinizante, uma rivalidade que tomava conta do menino e do pai, principalmente quando espirrava, impedindo que o filho subisse ao topo, e assim sem delongas, visse que o mundo de cima é mais árido do que o cantinho das formigas.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Tecnologia, música e senso estético na modernidade (II)


Olá, segue link de novo artigo publicado no site e revista Luz & Terra. É o texto que está aqui já, mas revisitado, e mais completo, abrangendo a tecnologia em geral. Abrs!



domingo, 15 de novembro de 2009

Geyse e o Feminismo e o Masculinismo


Muito já se falou do caso Geyse e de suas repercussões. As interpretações sobre o fato e sobre qualquer “algo” da Vida consciente ou inconsciente são sempre infinitas.

Márcia Tiburi, filósofa, discorreu suas visões sobre o ocorrido. Na esteira do que ela falou, refleti sobre o assunto, e vou tentar me aproximar de algo que acho que tem um certo frescor. Para resumir, ela disse, comentando sobre o caso, que naquela universidade em que os fatos se desenrolaram, o que havia era uma espécie de rivalidade que se escondia por trás das ações dos “homens” presentes lá. Concordo com ela. A maneira que a garota estava vestida, com uma roupa extremamente sensual, era de alguma forma perturbadora para eles. Era o desejo inconfesso de “ser ela”. Era uma inveja latente do poder sensual feminino frente aos homens e às pessoas em geral.

Pensando um pouco além, o movimento feminista, a meu ver, sempre traçou um modelo de feminilidade de certa forma masculino, reclamando elas para si o direito de ter o que já é de fato da mulher: o lado masculino de sua personalidade. É certo que houve um certo exagero em tal movimentação, mas elas conseguiram externar o que já era algo que existia no íntimo feminino.

Os homens e sua masculinidade sempre foram perturbados e conflitados com seu desejo e com sua sensibilidade. Sempre com um certo pudor de demonstrar o lado feminino ou “sensível” de sua personalidade, que também é inerente ao ser Homem.

Para encontrar pistas do que eu estou tentando digerir, podemos pesquisar um pouco Freud, que nos fala sobre as vicissitudes e às voltas do Complexo Edípico, mais precisamente na Fase de Latência, onde o homem durante este período, está em fase de elaboração inconsciente das estruturas de relacionamento erótico ( as formas como iremos nos relacionar ). Um grande complexo em massa poderia estar girando na mente daqueles “Kids” na universidade.

Mais pistas são encontradas ao revisitar Jung. Na psique masculina, segundo ele, existe um fator, uma estrutura virtual inconsciente, que vem do inconsciente coletivo, dita procedente da imagem da mulher. Esse conceito, denomina ele ser a Anima. É como se fosse uma predisposição subjetiva em sua psique. Precisamente diz Jung, em seu livro “O Eu e o Inconsciente”: “Em última instância, consiste numa estrutura psíquica inata, que permite ao homem ter tais experiências. Assim, todo o ser do homem, corporal e espiritualmente, já pressupõe o da mulher. Seu sistema está orientado a priori para ela, do mesmo modo que para um mundo bem definido, em que há água, luz, ar, sal, hidratos de carbono, etc.”

Jung completa: “Reside aqui, sem dúvida, uma das principais fontes da qualidade feminina da alma. Mas, ao que parece, não é a única fonte. Não há homem algum tão exclusivamente masculino que não possua em si algo de feminino. O fato é que precisamente os homens muito masculinos possuem (se bem que oculta e bem guardada) uma vida afetiva muito delicada, que muitas vezes é injustamente tida como "feminina". O homem considera uma virtude reprimir da melhor maneira possível seus traços femininos. Analogamente, a mulher, até há pouco tempo, considerava inconveniente ser varonil. A repressão de tendências e traços femininos determina um acúmulo dessas pretensões no inconsciente. A imago da mulher (a alma), torna-se, com a mesma naturalidade, o receptáculo de tais pretensões; por isso, o homem, em sua escolha amorosa, sente-se tentado a conquistar a mulher que melhor corresponda à sua própria feminilidade inconsciente: a mulher que acolha prontamente a projeção de sua alma. Embora uma escolha desse tipo possa ser considerada e sentida como um caso ideal, poderá também representar a opção do homem por seu lado fraco. (Isto esclareceria muitos casamentos estranhos)”.

É óbvio que este conflito é mais complicado aos homens, pelo velho apelo cultural a que estão enovelados e ”submetidos”. Me pergunto aqui se não existe um desejo latente, prestes a explodir, de um movimento que diria, poderia se chamar Novo Masculinismo, onde os homens requereriam seu direito a uma certa sensibilidade em face à cultura e à sociedade?

domingo, 1 de novembro de 2009

Música e Senso Estético na Modernidade


Na sociedade contemporânea atual há a tendência em valorar aquilo que acima de tudo é extremamente objetivo e sintético. Não há muito espaço para o subjetivo.
Na música atual acontece o mesmo. A máscara que o mercado fonográfico colocou e todo o mercado e indústria ligados à música, é de um lugar de um falso senso comum, onde o que se interpõe entre mídia e indivíduo é uma robusta molécula de relação instintiva de marketing, encantamento pelo trivial e enovelamento capitalista.
Um exemplo: Os vídeo-games atuais assumiram no momento o papel de intérpretes do mundo real, seja através de jogos de guerra, assassinatos em massa, e também em uma tradução estética pejorativa da música. Um exemplo disso é capitaneado pelo jogo de vídeo game “Guitar Hero”, que implementa e cria uma superficialidade musical na cabeça das pessoas. As crianças não podem ser culpadas por tal fato, (já que são as principais a utilizar os jogos) dado que são facilmente despojadas de senso crítico. O subterfúgio do jogo é o de possibilitar uma fácil apreensão da música, e simular assim o tocar de um instrumento.
Tais condições estéticas não geram nas pessoas a capacidade e a condição de criar e de apreciar uma determinada arte de uma forma subjetivamente mais saudável.
É um empobrecimento cultural determinado pelo extremo apelo do mundo externo e objetivo.
Mentes ávidas por mais calor e sentimento humano podem somente flutuar em mares flácidos como esses.
A beleza do mundo subjetivo consiste em superar as dificuldades do mundo objetivo e protagonizar uma potencialização do mesmo.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Publicações pela Net

Olá, pessoal,
Segue links de textos meus publicados recentemente em sites e blogs da internet...
Abrs...

http://www.nucleotavola.com.br/integra.php?integra=127 - Resenha na Revista Távola sobre o livro "A Hora da Estrela" -Clarice Lispector – Entre a Ficção e a Realidade.

http://www.nucleotavola.com.br/integra.php?integra=1 - Pequeno Artigo publicado no Site do Núcleo Távola : Budismo e Psicanálise: Um caminho possível ?

http://www.luz-e-terra.com.br/diversao/materia.php?id=84 - A Arte da Sublimação

http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2009/07/a_arte_da_subli.html - A Arte da Sublimação

http://recantodasletras.uol.com.br/contosdefantasia/1836508 - Conto - O Pulo do Gato em Chamas

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Complexo de Afinidade


Complexo de Édipo, Complexo de Castração, Complexo Materno, Complexo de Inferioridade, até Complexo Adiposo estão dizendo por aí... Complexo, complexo, completo... Completo aqui mais uma etnia complexual moderna: Complexo de Afinidade.

Esse, como todos os outros nos ajuda a identificar uma coisa: Somos todos complexados mesmo. E complicados. E nem é para menos. Somos “obrigados” pela Cultura a nos mantermos felizes, disciplinados, antenados, e muitas vezes até alienados.

Somos coisificados pelo sistema.

Resultado: Preocupação, ansiedade, depressão.
Rememorando o comodismo cultural, um fantasma vem e nos diz : Tenha a Santa Afinidade!

Nesse microcosmo de uma cabeça só, penso que apesar de estar na moda hoje em dia essa coisa de afinidade, isso sempre foi uma boa maneira de nos relacionarmos uns com os outros, tendo afinidades.

É importante para o casamento dar certo, para a amizade, etc. Mas importante mesmo é estarmos atentos para uma coisa que usualmente acontece na nossa geração. Qualquer não-afinidade que ocorra em um relacionamento deixa um ou outro atônito, e cai toda aquela máscara de idealização. É sabido em Psicanálise que a idealização é um dos principais mecanismos de defesa do ser humano. Mas é preciso idealizar para viver. Há de que se ouvir a voz da Afinidade, mas é bom e saudável que tenhamos êxito ao enxergar as diferenças e não obturá-las a nosso contento, prejudicando assim o relacionamento.

Existe aquela velha máxima que diz: “Os opostos se atraem”. Não sei se atraem mesmo. Procuramos um pouco de nós mesmos no outro. Mas também buscamos o complemento. O que não queremos é a aporrinhação do que é discordante, conflitante, desarmônico, que são coisas que realmente existem em qualquer tipo e nível que se tenha chegado um relacionamento.

Parece haver um tabu hoje onde o diferente é arma que dispara sozinha. Fique alerta e fique na Sombra! Porque se o Sol te pegar meu filho, ... , Ahhh... Lá pelas tantas o Mar de Rosas vai secar...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Miró e a Composição e Fragmentação do Eu


Miró, reconhecido pintor da Espanha, através de suas pinturas modernas, explorava sua cáustica natureza interna. E em períodos de guerra, expressava o drama, o horror, através de incríveis pinturas, cuja estética elaborava uma dor que podia assim ser diluída em cores.

Uma de suas obras, intitulada "Composição", retratou uma natureza fria, de ausência, deixando a interpretação a cargo do espectador.

Tal pintura surgiu próxima a um período chamado de "Assassinato da Pintura", na qual eram pinturas baseadas em colagens de objetos recortados de jornais, revistas.

A economia cromática realçada nesta obra especificamente pode vir a ser um apanhado de figuras distorcidas, retorcidas de um corpo fragmentado. Em meio a um fundo degradado e frio, semelhante a um Inconsciente desabitado, Miró desdenha da realidade.

Sob a influência do movimento surrealista, Miró permitia-se ao mesmo tempo ser afetado pelo surrealismo, e também se desvincular de qualquer identificação última com qualquer movimento ou postura.

Nesta obra "Composição", com o título contrastando com seu significado talvez, a interpretação vai em torno de uma fragmentação de um "Eu" perante as vicissitudes do mundo.

A Fragmentação é um conceito utilizado em Psicanálise para descrever a situação de um indivídulo perante uma divisão de sua personalidade, consubstanciando uma identidade fragmentada.

As figuras no quadro são interpostas, com membros em pedaços, figuras parecendo a ossos, machados, com um contraste de cores entre o branco, preto, e o vermelho que talvez mostra o sangue em meio a tudo.

O que queria Miró nos mostrar?

Algo relacionado a uma inteireza de um "Eu" que foi desagregado pode ser a resposta.

As particularidades de uma dissociação de tal monta é pensada na Psicanálise por alguns conceitos.

Armando Colognese Jr. em seu livro "A trama do equilíbrio psíquico", manifesta a ideia de momentos da vida de um indivíduo que são marcados por distúrbios psíquicos onde a Pulsão de Morte (conceito Freudiano, exemplo cujo objetivo desta Pulsão é desfazer ligações psíquicas) domina a Pulsão de Vida, de modo que "a Pulsão de Morte toma emprestada a Pulsão de Vida e passa a controlá-la, ou dito de outra forma, a pulsão de vida está a serviço da pulsão de morte. libidinizando-a."

Rosenfeld descreve esse funcionamento mental semelhante a uma gangue mafiosa.

Os objetos no quadro de Miró, por estarem em um período em que ele pintava de guerras e conflitos, talvez queiram salientar que para haver o Outro, tem que existir um "Eu" primeiramente. Ou mais além, significa o não enxergar o outro, por haver esse "Eu" deformado em nós mesmos. Pois nos conflitos exteriores ninguém enxerga o Outro, seu próximo.